terça-feira, 9 de março de 2010

mulher seu dia!


Outra campanha de Chiquinha se inicia por volta de 1913: a luta pelos direitos autorais. Na Europa a maestrina encontrara, numa loja musical de Berlim, uma série de partituras suas reproduzidas sem seu conhecimento. Isto a deixa indignada e ela, ajudada por João Batista, trata de descobrir quem havia autorizado a edição. Acaba chegando ao diretor da Casa Edison do Rio de Janeiro, Fred Figner. Ele tenta não levar a situação muito a sério, afinal era conhecido de Chiquinha, e além de tudo nunca se tinha brigado por questões autorais no país. Mas ela não deixa por menos – vai aos jornais, dá entrevista, cria polêmica: com que direito utilizavam sua obra sem ao menos a avisar? Acaba vencendo o impasse e recebe 15 contos de réis a título de indenização.

Além de editar partituras, Fred Figner fazia gravações de discos no país desde 1902. Muitos continham músicas de Chiquinha e outros artistas, e eles nem sequer eram mencionados. O mesmo acontecia com as composições para teatro. As peças faziam a fortuna das empresas de teatro e o compositor quase nada recebia. A discussão em torno do assunto rende frutos: em 1916, o Congresso Nacional aprova uma lei sobre propriedade artística e literária e, em 1917, os autores teatrais se reúnem e fundam a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT). A sociedade visa resguardar os direitos dos autores teatrais e também dos compositores musicais. Chiquinha é a sócia iniciadora, fundadora e patrona da SBAT, ocupando a cadeira n.°1. É lá que se encontra hoje seu arquivo pessoal.